segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Interlúdio lúdico.

Solitário luar eclipsado
Sozinho numa janela impossível

Doce acalanto, tal fado
Anti-clássico, inverossímil.

Este canto, quase um lamento
Prendia-se em mim, e agora se solta

Esta brisa leve, quase um vento
Alisa e acalanta a mim e tudo em volta.

Este sol escaldante, luzindo
Com calor, ânsia, até cheiro

Cativa o mal e o bem, sentindo
Que cativas até o mundo inteiro.

Lembro onde nasci e me criei
E me fiz irreal como os desejos

Que com tanto cuidado cultivei.
No fundo da mente, (agora) vejo-os

Mortos e esfacelados
Já mancos e sem energia

Para deixarem de ser realizados
Na pleníssima luz de um dia

Onde tudo aquilo que eu sempre quis
Estaria sempre tangível, ao meu lado.

Durmo. E no céu, a luz negra e infeliz
De um solitário luar eclipsado.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Poema escrito num guardanapo

Fenecerei sobre um vale
Triste e ao por do sol
Como tomba uma arvore sobre o chão
Como desabo todo dia cansado
Sobre o meu colchão.

Espalharei meus frutos
Minhas ramagens, pelo chão
Meus amores oriundos
De tanta paixão
Cultivada e vivida.

Morrerá meu corpo
Gélido, limitado, humano
E voará mi alma plenamente
Como um avião de papel
De um menino entardecendo.

domingo, 29 de maio de 2011

Mais do Mesmo

Sorrio para uma fotografia
Que não sabe que é uma fotografia
Ela apenas é, apenas existe, ela é um momento
Preso e elucidado no papel,
Para sempre naquela imagem
É a mesma coisa que houve
Sendo repetida infinitamente
Preto e branca, colorida
Nossos sorrisos emoldurados no universo
Nossa alegria daquele dia
Em que você sorria
E que tínhamos tanta para dar!
Tudo dava certo, e a imagem retida
Para sempre estará viva em mim
Porque éramos os certos um para o outro.
No final aquela foto é mais do mesmo,
É algo que senti e já passou, já se dissipou
Em meio às voltas e idas do coração, da vida
É absurdamente linda a emoção, a euforia
Daquele dia
E daquela fotografia.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Luminosidade

Escapa uma pedra
De teto da caverna
A luz entra
Atravessa o ar, inflexivelmente
E explode na água.

Como saber que existia a caverna e o lago?
A luz nunca havia os encontrado
Naquele dia, aquela pedra revelou
Todo um dinâmico universo que se descobria ainda, nunca totalmente descoberto pelo manto da dúvida
O sol manda caravelas de luz
Através desses mares de hidrogênio e ozônio e oxigênio
Para descobrir o que nenhuma luz dos olhos de homem
Pode revelar.