Solitário luar eclipsado
Sozinho numa janela impossível
Doce acalanto, tal fado
Anti-clássico, inverossímil.
Este canto, quase um lamento
Prendia-se em mim, e agora se solta
Esta brisa leve, quase um vento
Alisa e acalanta a mim e tudo em volta.
Este sol escaldante, luzindo
Com calor, ânsia, até cheiro
Cativa o mal e o bem, sentindo
Que cativas até o mundo inteiro.
Lembro onde nasci e me criei
E me fiz irreal como os desejos
Que com tanto cuidado cultivei.
No fundo da mente, (agora) vejo-os
Mortos e esfacelados
Já mancos e sem energia
Para deixarem de ser realizados
Na pleníssima luz de um dia
Onde tudo aquilo que eu sempre quis
Estaria sempre tangível, ao meu lado.
Durmo. E no céu, a luz negra e infeliz
De um solitário luar eclipsado.
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