sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Elegias Desesperadas

I

Sombra

Curvei-me sobre a lápide do meu desejo
E ali estava teu frio cadáver
Apodrecendo sobre a laje profana
De um tumulo qualquer.

Já não a tenho em minhas mãos
E lágrimas salgadas anunciam meu choro
O raio que parte as nuvens não pode me atingir.

Amei-te mais do que pude
E agora que o sol se levanta no horizonte
E a noite vai embora
Percebo que está acrescida a minha sombra
A penumbra da minha morte.

II

Mar

Adentrei a este triste navio
Embarcação de rumos brutos
Mas de navegar suave
Para esquecer-me de ti que me deixou
E lembrar de como era doce o sal de tua boca.

Agora a água colide em mim
E o céu relampeja o choro das nuvens
As lagrimas do céu não abatem minha pele
Mas o teu sorriso e tua pele morena, enroscados em minha memória
Para sempre estarão

Lembro-me de como era bom tê-la comigo
Teu lábio roxo, tua pele de veludo
Teus seios duros, teu corpo rígido
Tua flor de êxtase
Aberta na primavera do prazer

Mas agora estou sozinho
E a escuridão do oceano
Devora-me.

III

Morto

Estou morto

Meu corpo desprendeu-se do invólucro da vida
E estou em queda livre

Tudo é cinza e preto
E sorrisos de desconhecidos inundam minha vista embaçada

Estou velho, lembro disso
E o céu é um eterno desatino de imagens desconexas

Estou morto.

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