Geme vagarosa, a onda que arrebenta
Em pedras calcadas ao sabor do tempo
Depositadas por entre areias que o sol esquenta
Em turbilhões d’água que inundam o vento
Desprendem-se da estrela os raios solares
Que mastigam a carne humana, vegetal e animal
Que enchem de quente fragor os azulados mares
Que escondem-se na incerteza de uma nuvem abismal
Banham-se nas águas de clareza turva
A gente que todo dia aguarda sua vez
Que só se move para cama quando já se esconde a lua
Que entre casulos de estrelas, repousa tua majestosa palidez
E é neste esplendor de ventos, marés e banhistas
Que se esconde a besta que em todos dará o bote
Pois é na beira do mar que se expira a vida
E embarcamos sem permissão na odisséia para a morte.
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